domingo, 13 de abril de 2008

Estes contornos


Estes contornos,
sem sangue mancharam o cume absorto da certeza de carência de imagens destas,
que nem as intempéries de uma célula, volume incerto de inconstância ou sem nome constante, cuidaram
de saber

que esta mancha
por nada morreria enquanto
este cérebro jorrar
Estes contornos,
nus e incognoscíceis
com a alarvidade das rugas de um velho em putrefacção.


Estes contornos,
a minha noite
faz-te grande grande
véu
vertido no chão
frios calejados na cara,
e algazarra nas flores de cheiro,
flores de dia e ramos, da noite que os contornou
que a lua nova aconchega
aos teus seios

Estes contornos,
de menina
que te afluem um magma desassossegado
e que o vento te leva a sabedoria
só te deixa para quereres a imperícia atroz
de uma mancha que de sangue contornado
nos esborrou a ficção desmesurada.


Estes contornos,
que não pedem muito mais que
visão intransigente da retina deslocada - se de sono se de cegueira - que
também não cheira muito destas
paisagens,
que
também não sangra manchas das minhas imagens
nem contorna as ficções do meu sangue.


















(fotografadas em Agosto de 2007)

3 comentários:

Artur Corvelo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Patrícia Lino disse...

uau. uau, uau, uau.

Martinha disse...

A Inês? :) *