Ao António,
Quis agarrar-te um frio
de um Sol que nos raiou a eternidade por rios
enlaços amorosos de conversas escorridas dos nossos corpos
(entrevados em regiões desconhecidas)
ressequidos de somente escritos numa pedra
e nela calcinados os rumores das mãos,
línguas de uma escrita que aldrabámos às escuras do medo
E em nós
a manhã não é um interludio amoroso
É matéria viva
que em tempo de um Outono terno
não se escureceu.
Esta matéria ardente,
imprecisas noites de candura,
grajeia em nós um só silencio, lugar a que teve
em tempos infinitos e mais além do que todo o tempo que é tempo,
um rio de vermelho e branco exangue
(lugar que ocupa agora o teu nome)
um rio que nos assombra constante a chama
que é raiz entranhada na memória, o grito da terra que agarraste
e cravaste a ferro em ferro volúpias da tua presença aqui
que é campo
que é espelho do teu vagar.
A cegueira é semblante branco de fibras lenhosas no papel,
células mortas mas que respiram nestes corpos um amor.
Que tudo o que é poema é melindroso é certo,
mas garanto, não sente este frio.

1 comentário:
Eu estou sempre aí.
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