domingo, 25 de janeiro de 2009

Já ninguém morre no século XX

Não morrem não. Há sempre um século em que alguns tentam diminuir a morte como se fosse um acontecimento funesto e lacunar na história de um país, de um nome, de um homem, conduzindo ao aparecimento de novas e melhores mortes - mais inadmissíveis e sibilinas - no fundo, mortes que quase entrem para a história de qualquer coisa. São considerados os mais aptos aqueles que tornam a morte menos morte; e os convencionalmente conhecidos por menos aptos, absolvem-nos com um acto penitencial corriqueiro e mal ensaiado que se fodem. «It's like a man's best party, only happens when he dies», como canta o outro.
Tentam diminuir a morte, sem sucesso, certamente. Nem mesmo os que (como quem diz, o senhor da foto) para o não evitar, escolheram o século-das-janelas-de-hotel para morrer. Não que seja por o senhor ter optado por se atirar de uma janela de hotel. É um século como outro qualquer, mas diz que hoje, século XXI, ainda jazza naquele túmulo um coração.

Sem comentários: