Entra e fecha a porta,
O quarto está sob a pressão das dores de cabeça
(e mais alguns detalhes que são o limite,
mas isso é algo que a dor não compreende)
que como se fossem as mães que vão embora, sabemos que
essas sim, são para sempre.
Sim, entra e fecha a porta
E deixaremos de ter barulhos de chinelos vindos do
corredor - sabemos que a repetição é tudo o que nos chega e
nunca chegamos a reter nada do que é a emoção. Não
me entendas bem. Também não me entendas mal. Entende
é que ninguém me explicou que viver
implicava encenar alguma emoção, e que isso se
repetia até deixarmos de viver sozinhos.
Como estava a dizer, as dores de cabeça não chegam
para a iluminar, muito menos, para a calar. Tenho números
na cabeça, e não são números que edifiquem
grandes explicações para a insustentável leveza que nos conduz
a este universo barato.
Não são números que digam muito sobre mim, mas
conhecem o contemplar dos teus passos
quando pisas este corpo que, seja em piso duro
ou seja em campo macio, sabem que não voltarás
para desbravar a terra. São corpos que, dia por dia
corpo por corpo, constroem noites como esta: brancas.
Eu sei que a oferta é suspeita para brindar a quem
paga tão alto preço por aqui não estar. A questão
é precisamente não saberes o que
é aqui estar.
Continuarás a pagar o preço para não me veres, sem saber que
Tão cedo não vais ver ninguém: é um universo barato.
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