terça-feira, 19 de agosto de 2008

Hoje há Jorge Luis Borges, amanhã não sabemos

Antes que o sonho (ou o terror) tecesse
Mitologias e cosmogonias,
Antes que o tempo se cunhasse em dias,
O mar, o sempre mar, já estava e era.
Quem é o mar? Quem é aquele violento
E antigo ser que rói os pilares
Da terra e é um e muitos mares
E abismo e esplendor e acaso e vento?
Quem para ele olhar vê-o pela primeira vez,
Sempre. Com o assombro que as coisas
Elementares deixam, as belas
Tardes, a lua,o fogo de uma fogueira.
Quem é o mar, quem sou eu? Sabê-lo-ei no dia
Que se segue à agonia.

O mar, in "O mar na poesia da América Latina"
assírio & alvim, 1999

(O mar? o assombro? Ora veja-se, não admira que tivesse achado piada à facécia dos fantasmas do outro amiguito. Ora essa.)

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